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Jaci Regis

Doutrina Kardecista

Modelo Conceitual

(reescrevendo o modelo espírita)

Para idéias novas, palavras novas.

Allan Kardec

Icks

INDICE

EXPLICAÇÃO 3

1ª PARTE

CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS 4

Capitulo I - MODELOS CONCEITUAIS 4

1.Considerações gerais 4

2. O modelo cristão 4

Capitulo II - DO SENSORIAL AO ENERGÉTICO 5

1.Um longo caminho percorrido 5

2. A última barreira 6

Capítulo III – O MODELO ESPÍRITA 6

1.Dificuldades e ambigüidades 6

2., O Céu e o Inferno 7

2ª Parte

BASES DE UM NOVO MODELO 9

Capítulo I - DAS CAUSAS PRIMÁRIAS 9

1.Deus e a Lei Natural 9

2.O princípio ene4rgético 10

3.O princípio inteligente – 10

4. A seqüência evolutiva do princípio inteligente 11

Capítulo II –AS ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO DO ESPÍRITO

1.A experiência corporal – 11

2.A unidade contínua da humanidade 11

Capítulo III – O PLANO EXTRAFÍSICO

1. Um retrato real 12

Capitulo IV – INSTRUMENTOS DE EXPRESSÃO E COMUNICAÇAO

1. O perispirito 14

2. A mediunidade 15

Capítulo V – DA ÉTICA E DA MORAL

1.Considerações gerais 16

2. A ética – 16

3. A moral 16

4.Culpa e castigo 17

5. O Salvador – 18

Capítulo VI - ENTENDENDO A REENCARNAÇÃO

1.Considerações gerais – 19

2. A técnica reencarnatória 19

3. A reencarnação é uma aventura existencial 20

4.A reencarnação planejada 21

5.A escolha das provas 21

Capitulo VII –A DOR E A BUSCA DO EQUILÍBRIO 21

Capítulo VIII – O OBJETIVO DA VIDA 22

EXPLICAÇÃO

Este trabalho é a apresentação de um modelo conceitual, desenvolvido a partir de uma análise critica e releitura da obra de Allan Kardec...

Cento e cinqüenta anos depois do lançamento de O Livro dos Espíritos, as idéias básicas por ele lançadas continuam válidas. Entretanto dois fatores evidenciam a necessidade dessa releitura. O aspecto evolutivo do Espiritismo, que permite analisar os progressos realizados pela sociedade humana nesse período e incorpora-los, equilibradamente e a sua transformação em religião, que tende a fraudar seus conceitos revolucionários.

Somente o pensamento religioso pode afirmar que nada precisa mudar, nem atualizar.

Existe um fato inegável, criou uma divisão talvez irremediável entre os adeptos. Os que praticam o Espiritismo como uma religião, sendo a grande maioria e os que o entendem como uma reflexão positiva, dinâmica, mas desvinculada do culto, dos rituais que compõem necessariamente o pensamento religioso.

Parece que o ponto de discórdia nesse processo divisório, é a papel de Jesus de Nazaré. Se aceito como o Cristo formatado pela Igreja, conduz ao dogmatismo e à idolatria e liga o Espiritismo aos cultos cristãos. Se olhado sob a luz do processo evolutivo, torna-se o Mestre, o homem superior com missão especial.

Nosso propósito é apresentar um elenco de idéias em linguagem desvinculada do cristianismo, quer dizer das igrejas cristãs.

A Doutrina Kardecista quer caminhar aberta ao novo, sem perder as raízes do pensamento de Allan Kardec.

Santos, março de 2008.

1 PARTE

CONSIDERAÇÕES PRÉVIAS

Capitulo I -MODELOS CONCEITUAIS

1. Considerações gerais

O conjunto de idéias, concepções, crenças, normas e diretrizes morais, estabelecem um modelo que, quando aceito ou imposto constrói uma consciência, um modelo pelo qual as pessoas e as coletividades se guiam e agem.

Há o modelo cristão, constituído pelos fundamentos do cristianismo, estabelecidos pela Igreja Católica e que se tornou a diretriz, a consciência moral da sociedade ocidental. Como há os de todas as crenças em todas as partes da Terra.

Há o modelo materialista que exprime a filosofia existencial e reduz o ser humano ao corpo e não tem qualquer pretensão de explicar as razões da vida.

O Espiritismo também constituiu um modelo que exprime sua visão de homem e de mundo.

Entretanto, devido às influências das idéias cristãs, esse modelo, na prática se deturpou e perdeu o eixo de sua originalidade. O movimento espírita brasileiro que assumiu a responsabilidade de manter o legado de Kardec sucumbiu à pressão da cultura, das déias católicas, devido à adesão de pessoas estruturalmente ligadas aos cultos cristãos.

Dois fatores contribuíram para isso. A absorção total do sentido e da linguagem do evangelho cristão sem a liberação do aparato místico e a pretensão de Allan Kardec de considerar o Espiritismo a terceira revelação da Lei de Deus, dentro da cultura cristã.

A incapacidade de criar uma linguagem e a pressão milenar das teses cristãs, o modelo espírita recebeu desde logo e ao longo do tempo importante influência dos conceitos católicos. Ao ser transformada numa religião cristã, a doutrina sucumbiu em grande escala à pressão do catolicismo. Perdendo a originalidade que deveria ser uma opção à humanidade. Embora elaborado dentro da cultura cristã, o modelo espírita nega o modelo cristão.

.Esse caminho, porém, não foi de forma alguma postulado por Kardec. Ele pretendeu que o Espiritismo fosse ao mesmo tempo científico, ou seja, tivesse pensamento crítico, não dogmático, mantido dinamicamente atualizado e desenvolvesse um humanismo.

A Doutrina Kardecista com esta proposta, pretende a recuperação da identidade da obra de Allan Kardec A reflexão sobre os fundamentos do Espiritismo exige o exercício da crítica e da responsabilidade. Por não serem estáticos, a revisão da linguagem e a atualização dos conceitos se faz indispensável de modo a cumprir o que ele propôs: “ O princípio progressivo que inscreveu em seu código será a salvaguarda de sua perpetuidade. E sua unidade será mantida precisamente porque ela não repousa sobre o princípio da imobilidade” (Obras Póstumas – Dos Cismas).

2.O modelo cristão

Na revelação cristã é filosoficamente fundamental, básico, o conceito de uma queda original do homem no começo da sua história, e também o conceito de um Messias, um reparador, um redentor. Conceitos indispensáveis para explicar o problema do mal, racionalmente premente e racionalmente insolúvel. A solução integral do problema do mal viria unicamente do mistério da redenção pela cruz - necessário complemento do mistério do pecado original

O trecho acima, transcrito de um site católico, indica a natureza do modelo que a Igreja Católica criou e que ao longo do tempo formatou toda uma cultura sobre Deus, a vida e a morte, a natureza e o destino das criaturas humanas na sociedade ocidental.

Esse modelo criou uma visão do universo, da natureza das coisas, e da vida humana, que se estereotipou como o primado da verdade revelada.

As coletividades e as pessoas passaram a girar em torno dessa visão. Quando defrontadas pelos problemas essenciais da vida, reagem espontaneamente dentro dos princípios cristalizados.

Não obstante o desgaste que tem sofrido, mesmo que se apresentam novas idéias e os fundamentos do modelo sofram questionamentos ponderáveis, ele permanece como resíduo cultural e mental. Por isso, estabelecidos os parâmetros, a Igreja sempre foi contrária ao progresso, perseguiu os que contrariaram seus postulados, incluindo cientistas, filósofos e pensadores.

A verdade monolítica manteve-se por séculos e continua a expressão da verdade para milhões. Isso não obstante o surgimento de novas idéias, o avanço das investigações e a insustentabilidade das idéias mantidas. As crenças religiosas ignoram o progresso e continuam agindo e pensando da forma antiga.

A estrutura do modelo cristão parte de duas vertentes, a atuação divina sobre as pessoas e a idéia fundamental do pecado. Essas vertentes acabam por abater-se sobre a pessoa e, na medida em que ela se fragiliza pela dor, pelo sofrimento e pela angústia do amanhã, dentro dos limites rígidos da vida entre o berço e o túmulo. Todos são pecadores, Deus é cheio de amor, mas também de vingança, indica o modelo.

Embora ao longo da história as filosofias materialistas e niilistas sempre negassem o modelo cristão, a principal opositora atual desse modelo é a ciência. Entretanto, esta cuida mais em desmontar as afirmativas da Igreja, principalmente nas questões da natureza e do comportamento humano, baseando-se numa visão totalmente orgânica.

O pecado original sobrevive na filosofia cristã. Jeová, o deus judeu avança na base da idéia de um deus de amor e misericórdia. Diante do futuro após a morte, a Igreja mantém o mesmo pensamento sobre o céu e o inferno, a natureza má da pessoa e a necessidade de salvação e redenção. De um Salvador.

Some-se a isso a abrangência da geopolítica mundial, a influência das religiões orientais e do Islamismo e veremos que todos os modelos religiosos, com suas nuance específicas, são incapazes de dar uma direção, ajudar a criar uma forma de respeito recíproco e de fraternidade básica entre as pessoas.

Capitulo II - DO SENSORIAL AO ENERGÉTICO

1. O longo caminho percorrido

A sabedoria, a verdade e a análise dos fatores da natureza foram, durante séculos, puramente sensoriais.

Sensorialmente, a Terra está parada e o Sol é que parece circular em torno dela. Essa sensação produziu a “revelação divina” defendida pela Igreja de que havia um céu em cima e um inferno em baixo. E, por conseqüência, pôde-se figurar Deus como uma pessoa sentada no seu trono.

Tudo, por séculos, foi concebido e vivido placidamente, sob esse horizonte limitado dos sentidos, mas então era satisfatório.

O desenvolvimento dos instrumentos mudou o cenário.

O telescópio de Galileu Galilei mostrou a Terra se movendo e essa simples descoberta, precipitou a investigação, a curiosidade e o saber humanos Daí para frente, o sensorial foi paulatinamente vencido pela pesquisa. Muito tempo depois, Pasteur mostrou o mundo microscópico, inexistente ao olho, ao tato, ao cheiro, ao ouvido e ao paladar humanos.

Na era da ciência e da tecnologia, tudo o que era “sólido se desmancha no ar” e atualmente as investigações científicas derrubaram o entendimento do real, da realidade e mostraram que vivemos num universo energético, mutável e, não obstante, consolidado.

2 A última barreira

Em 1857, Allan Kardec, com o lançamento de O Livro dos Espíritos, agitou o campo controvertido da natureza do ser humano, seu destino e suas potencialidade. Derrubando a última barreira sensorial: a morte.

É uma revolução completa a operar-se nas idéias, revolução tanto maior, tanto mais poderosa, quanto não se circunscreve a um povo, nem a uma casta, visto que atinge simultaneamente, pelo coração, todas as classes, todas as nacionalidades, todos os cultos ”( A Gênese) afirmou em 1868, onze anos depois de lançar O Livro dos Espíritos.

Segundo Kardec, “ O simples fato de poder o homem comunicar-se com os seres do mundo espiritual traz conseqüências incalculáveis da mais alta gravidade; é todo um mundo novo que se nos revela e que tem tanto mais importância, quanto a ele hão de voltar os homens sem exceção. O conhecimento de tal fato não pode deixar de acarretar, generalizando-se, profunda modificação nos costumes, caráter, hábitos, assim como nas crenças que tão grande influência exercem sobre as relações sociais.

Como o plano extrafísico é invisível ao olhar, aqui ainda se mantém a cultura sensorial. O instrumento de adentrar esse plano é a mediunidade e ela, pelas suas peculiaridades é extremamente vulnerável.

Capítulo III – O MODELO ESPÍRITA

1 -Dificuldades e ambigüidades

Ao afirmar que “para coisas novas precisamos de palavras novas; assim o exige a clareza da linguagem, para evitarmos a confusão inerente ao sentido múltiplo dos mesmos termos” ( O Livro dos Espíritos- Introdução) Allan Kardec pretendia defender as idéias espíritas que lançava, das viciações da linguagem cristã. Ele sabia da força e do poder das palavras. E a linguagem cristã estava clara e perfeitamente estabelecida na cultura e na mente das pessoas, condicionadas pela autoridade religiosa, pelo peso da verdade revelada e reafirmada milenarmente.

Por isso, ele queria desvincular a linguagem espírita da linguagem católica que, em essência, contraria o sentido revolucionário do Espiritismo.

Afirmando que o Espiritismo era “uma ciência objetiva”, ele tinha intenção de criar um universo lingüístico que justificasse a “revolução” que se propunha realizar. Todavia, a pesar de seu inegável talento e determinação, seu desejo de criar uma nova linguagem, uma nova forma de nomear a natureza, a pessoa e o futuro, não foi concretizado.

Não conseguiu manter uma linguagem estritamente revolucionária do pensamento espírita Depois de O Livro dos Espíritos e do Livro dos Médiuns, a partir de 1864, ele editou uma série de livros tipicamente voltada para as bases da religião católica. O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno - A Justiça Divina Segundo o Espiritismo, e A Gênese – Os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo.

A argumentação é certamente espírita, mas a tentativa de dar uma explicação racional para a fé, adjetivando ou usando os termos católicos ajudou a, posteriormente, confundir as coisas... Ao afirmar que “Razão há, pois, para que o Espiritismo seja considerado a terceira das grandes revelações .” (A Gênese,) incluindo o Espiritismo no suposto cronograma das revelações divinas, no universo cristão, aprisionou a doutrina à linguagem católica.

Isso resultou numa mistura de palavras e significados que, após o fracasso do Espiritismo na Europa, permitiu aos místicos católicos brasileiros que empunharam a bandeira do Espiritismo, criar um “Espiritismo a brasileira” basicamente uma religião no sentido usual da palavra, defendendo e mantendo os símbolos e significados do catolicismo.

A bandeira que arvoramos bem alto é a do Espiritismo cristão e humanitário ”, escreveu Kardec no O Livro dos Médiuns, (Capitulo XXIX). Podemos fazer muitas conjeturas sobre qual a intenção dele ao exprimir-se dessa forma. Mas o que importa é que a expressão “Espiritismo cristão” tornou-se, no Brasil, a própria identificação do Espiritismo.

Os que aderiram ao movimento espírita, sem desvincular-se do estigma católico, elegeram Jesus Cristo, idealizado pela Igreja, como o salvador, mantendo laços firmes com o catolicismo. Ainda que o considerasse um Espírito encarnado, sujeito à evolução e não um deus.

2 -O Céu e o Inferno

Nenhum livro de Allan Kardec mostra as dificuldades e ambigüidades da falta de uma nova linguagem e novos conceitos desvinculados da Igreja, do que O Céu e o Inferno.

Editado em 1865, com o subtítulo “A Justiça Divina segundo o Espiritismo” o livro aborda a proposta do catolicismo sobre as penas futuras.

Nele, Allan Kardec analisa os postulados católicos, dando uma explicação espírita para os fundamentos do catolicismo sobre o futuro da alma após a morte. Isto é, as punições no inferno e as benesses no céu.

Na primeira parte, o autor fala do temor da morte, do porvir, do céu, do inferno e do purgatório, segundo a Teologia cristã. Faz um malabarismo teórico, não rejeitando propriamente essa Teologia, mas tentando dar-lhe uma explicação diferente.

Essa postura contraria o que ele escreveu na primeira linha de O Livro dos Espíritos “para idéias novas é preciso palavras novas” Insiste em manter os termos católicos para explicar a justiça divina. Isso resulta em contradições como afirmar “Nessa imensidade ilimitada, onde está o Céu? Em toda a parte” numa relação dúbia com a localização física do céu, percorrendo um caminho de relação com a idéia antiga do céu em cima e o inferno em baixo, estando a Terra parada.

Em continuação, elege os mundos superiores como uma espécie de céu. “A vida nos mundos superiores já é uma recompensa (...) reina lá a verdadeira fraternidade, porque não há egoísmo; a verdadeira liberdade por não haver desordens a reprimir, nem ambiciosos que procurem oprimir os fracos. Comparados à Terra esses mundos são verdadeiros paraísos, quais pousos ao longo do caminho do progresso conducentes ao estado definitivo”.

Seria esse o céu do Espiritismo, em substituição ao céu católico. Evidente que as motivações são outras, mas a linguagem é semelhante e condicionante.

Da mesma forma, afirma ’O Espiritismo não nega, pois, antes confirma a penalidade futura. O que ele destrói é o inferno localizado com suas fornalhas e penas irremissíveis. Não nega, igualmente, o purgatório, pois prova que nele nos achamos ....”.

Elege o plano extrafísico como o lugar que essas penalidades seriam aplicadas. “ É no estado espiritual, sobretudo, que o Espírito colhe os frutos do progresso realizado pelo trabalho da encarnação ”.

No fim fica uma pasta indiferenciada.

O que moveu Kardec a essa posição conciliatória, procurando dar razões à Teologia, apenas acreditando que houve um equívoco. Tudo seria uma questão de palavras?

.Na verdade, segundo o Espiritismo, não existem o céu, o inferno e o purgatório.

Remendar pano velho com pano novo é incompatível, já disse Jesus de Nazaré.

Anjo não pode ser sinônimo de Espírito Puro

Diabo não pode ser justificado como condição de Espírito imperfeito ou obsessor.

Purgatório não tem sentido na justiça divina, segundo o Espiritismo.

2ª PARTE

BASES DE UM NOVO MODELO

Capitulo I - Das causas primárias

1. Deus e Lei Natural

O novo modelo começará por estabelecer que o universo não é estruturado, mas delineado. Seria, metaforicamente talvez, uma projeção da intenção divina, inteligência suprema e causa primaria, centro ordenador e controlador, manifestado através da Lei Natural. Porque onde há Lei existe necessariamente controle.

Neste modelo não existe espaço para a personalização do Ser Supremo, nem cabe o estabelecimento de atributos, que o humanizariam, porque o paradigma disponível para pensar as virtudes é o humano.

Todas as Teologias, inclusive O Livro dos Espíritos, se apóiam na atuação pessoal, direta de Deus.

Essa idéia vem do entendimento primitivo sobre a ação da divindade como força sobrenatural, através dos fenômenos da natureza. Com o tempo, se corporificaram na figura de um deus ou vários deuses, que nas mitologias, se multiplicavam para nomear e justificar os segmentos naturais e controlar a vida das pessoas;

O Livro dos Espíritos estabelece o primado da Lei Natural, que é produto da vontade ou inteligência divina e governa, controla os rumos para a harmonia da vida universal, no campo energético quanto pessoal.

A existência da Lei Natural como centro irradiador do pensamento divino, é fundamental para compreender como o universo pode ser simultaneamente controlador e caótico. Para argumentar sobre essa polarização, poderíamos aplicar a definição do elétron que pode ser substância e onda, sem alterar a estabilidade universal.

O Universo tem uma unidade essencial manifestada na infinita variedade dos fatores. Uma análise ponderada dos fatos históricos, os avanços das pesquisas da Física e o estudo do universo em geral, mostram inequívoca sabedoria que se exprime na consistência dos fatores, na diretriz anônima, mas patente, tanto no mundo energético, como no inteligente.

Há, sem dúvida, uma diretriz básica, um delineamento fundamental dos processos do universo físico e mental, mas simultaneamente existe um espaço ilimitado para o exercício de fatores concorrentes ou contraditórios.

No nível energético , as mutações e formações.

que originam a estrutura móvel das formas e da matéria.

No nível inteligente , a partir do livre arbítrio,

que é o elemento desencadeador do conflito e da solução.

Se o universo energético flui, com suas leis básicas, numa contínua procura do equilíbrio, criando, destruindo e recompondo os elementos que o compõe, o universo inteligente cria uma pessoa específica, imortal, única, definida em si mesma, que percorre uma espiral evolutiva que, no nível corporal, tem na reencarnação seu instrumento básico.

A Lei Natural exprime a sabedoria divina, com mecanismos extremamente competentes, estabelecendo o ritmo e a sucessão dos fatores com o fim de equacionar, no universo energético, tanto quanto no universo inteligente, o princípio do equilíbrio, atuando através da lei de causa e efeito ou ação e reação, ferramenta de busca do equilíbrio, através da reciprocidade dos fatores.

2. O princípio energético

Tudo se agita numa reciprocidade contínua. A evolução está na base de todos os processos.

O modelo contempla o aspecto físico-energético sobre a qual o ser inteligente atua e reage, submetidos, um e outro, embora sob formas diferenciadas, ao mesmo princípio de ordem e caos.

Kardec propôs a existência de dois princípios que se completavam e opunham: o princípio material, e o principio inteligente.

O elemento material é a plataforma sobre a qual se desenvolvem os fundamentos da atividade universal, enquanto o ser inteligente atua em parceria, como a força criativa e direcional do movimento.

A composição do elemento material está em constante análise e tem mudado constantemente, de modo que poderemos chamá-lo de nível energético Filosoficamente, podemos pensar que ele é o resultado da interação dinâmica de forças que resultam num produto hibrido, em constante reciclagem.

Evitamos dividir o universo entre o espiritual e o material, uma vez que cada vez mais se compreende a interação positiva dinâmica dos elementos. Além disso, a matéria deixou, há muito, de ser considerada um elemento amorfo. Ao contrário, é o elemento dinâmico que se multiplica em produções energéticas praticamente infinitas.

Por isso, para clarear a linguagem, consideraremos o “princípio espiritual” como o elemento dinâmico incorporado à matéria. E “princípio inteligente” o ser inteligente do universo.

Nesse entendimento, o “principio espiritual” seria uma forma singular de mensageiro “genético” uma energia intrínseca que mobiliza as estruturas da matéria na formação dos elementos básicos da vida. Diante dessa singularidade, podemos admitir que essa força está no interior da matéria e dela faz parte, mas se distingue pela sua plasticidade e pela extrema capacidade de conduzir energia.

Compete-lhe energizar, fertilizar, direcionar a matéria para que ela se torne capaz de sofrer a influência da inteligência fora dela.

3. O princípio inteligente

A definição de Espírito, em O Livro dos Espíritos diz que é a “individualização do princípio inteligente”. Entretanto, esse ser não é um partícula retirada de um todo indiferenciado, um reservatório de inteligência...

Logo, é preciso entender que esse princípio inteligente não é uma alteração automática do princípio espiritual, como parece supor o dualismo espírito-matéria. Mas uma deliberada criação, que segue um caminho específico, embora apoiando-se, interagindo nos organismos e princípios elaborados pela união dos fluxos energéticos e espirituais.

Na nomenclatura mais atual, damos o nome de “Principio Inteligente” ao embrião do Espírito, dotado de razão e sentimento, fruto do processo evolutivo.

Os Princípios Inteligentes são individualidades embrionárias dispondo de uma energia íntima e, submetidos ao processo evolutivo, seletivo, conseguem desenvolver a capacidade de trabalhar os impulsos instintivos que lhes são inerentes, a caminho de estruturar-se como um ser consciente de si mesmo, isto é, um Espírito. São seres singulares, uma individualidade permanente, isto é, embora intrinsecamente ligados ao elemento material não se perdem na dissolução eventual dos elementos, nem na dissipação da energia produzida por eles.

4. A seqüência evolutiva do principio inteligente .

A Lei Natural estabelece uma seqüência fundamental para o desenvolvimento dos seres: sobrevivência, convivência e produtividade. É por essa seqüência fundamental que os seres, numa sucessão contínua e aperfeiçoada realizam seu auto-desenvolvimento.

Sequencialmente, o impulso agressivo estrutural do ser se transforma em vontade, que lhe garante a sobrevivência, em desejo que permite a convivência e abusca da felicidade que cria uma produtividade capaz de propiciar o prazer.

Embrionário, o ser submete-se a um longo percurso de experimentação e reciclagem, adquirindo penosamente condições para determinar, paulatinamente, seu próprio caminho, até adquiri um status próprio, alcançar o nível intelectual e afetivo que especifica o Espírito humano.

Esse esquema não apenas solidifica ao entendimento evolutivo, que é a base da teoria espírita, como derruba, desfaz, qualquer ligação com a teologia cristã sobre a queda, o pecado original e a o esquema punitivo do universo.

Capitulo II

AS ETAPAS DO DESENVOLVIMENTO DO ESPÍRITO

1. A experiência corporal

É fácil entender o mecanismo da evolução do ser inteligente.

Criado como um ser potencial, incorpóreo, como um conjunto vazio, o ser inteligente possui uma força intrínseca, a agressividade básica, que instintivamente o faz buscar a sobrevivência.

Inserido no universo material, com ele interage, desenvolvendo um “corpo mental” como apêndice de armazenamento das experiências. Realiza sua curva evolutiva, invariavelmente vivendo ligado a organismos que, em escala ascendente, lhe permitem o longo aprendizado até alcançar o nível hominal.

A alternância da encarnação e desencarnação, vida e morte, com a evolução dos organismos a que se liga, possibilita ao ser inteligente desenvolver sua mente, uma construção recíproca entre ele e o corpos.

Encarnar e desencarnar, pois, é o motor básico da evolução do ser inteligente. , A reencarnação é, pois, o instrumento básico da evolução do Espírito, desde as primeiras manifestações como Princípio Inteligente.

2. A unidade contínua da humanidade

A descoberta do plano extrafísico ampliou o sentido da imortalidade e integrou as dimensões em que se manifesta o ser humano. O túmulo é receptáculo de um organismo que se desgastou Com isso a imortalidade ganha um novo sentido e um novo horizonte, com a seqüência natural da pessoa, além do fenômeno da morte.

Essa reciclagem, vida e morte, nas integrações e dissipações sucessivas, dá ao ser inteligente um campo existencial praticamente ilimitado, em planos vibracionais ou dimensões energéticas que se interligam e interagem.

A sensorialidade natural do plano corpóreo, e a plasticidade energética do plano extrafísico, coexistem e se entrecruzam, guardadas as peculiaridades de cada um.

Essa descoberta derrubou as antigas concepções sobre lugares de punição e premiação, além túmulo, e estabeleceu a continuidade natural da vida pessoal e coletiva, embora com suas características bastante diferentes.

CAPITULO III - O PLANO EXTRAFÍSICO

1.Um retrato real

Utilizamos o termo “extrafísico” proposto pelo Espírito André Luiz, através do médium Francisco Cândido Xavier, por ser mais consistente com a idéia de um universo energético e a realidade do estágio pós-morte.

A descoberta do plano extrafísico mostrou que a atmosfera da Terra comporta um hiperespaço energético que interage com o espaço físico.

O plano extrafísico começou a ser habitado conforme o Espírito teve a percepção de sua integridade depois da morte do corpo físico. Essa percepção da imortalidade e da persistência de si mesmo, foi fruto do desenvolvimento da sua estrutura mental, que lhe permitiu manter o pensamento consistente e permanente, necessário para a existência do perispirito no plano extrafísico. Com isso o Espírito mantém a forma de seu corpo físico transferida para o corpo perispiritual, que o identifica no novo estágio vibracional.

Nesse espaço, o Espírito foi se instalando, criando condições de habitabilidade e de relacionamento, estabelecendo comunidades e permanecendo nele por tempo variado, mas necessariamente precário, pois é compelido pela Lei Natural, através da Lei de ação e reação a procurar níveis de satisfação e equilíbrio satisfatórios, ou seja, a reencarnação.

A morte, como a encarnação, é um momento extremamente desestruturantes. Durante a vida corpórea o Espírito identifica-se, sinérgica e profundamente com o corpo e estrutura-se mentalmente às condições do ambiente, da família do momento.

Ao ser alijado do corpo pela morte, o Espírito se vê despojado de todo esse aparato sensível e sensorial e, novamente, fica só consigo mesmo. Esse choque pode causar reações muito variadas, conforme a mente se vê diante de sua realidade moral, produzindo traumas diversos.

O perispírito, correlacionadamente ao espaço hiperfísico, é constituído de elementos energéticos de grande plasticidade, exprimindo a realidade mental e moral do ser, que nele se estampa de modo visível e, muitas vezes, inconveniente e constrangedor.

Daí porque Allan Kardec categorizou o estado do Espírito ali estagiando de “errante”, considerando que a permanência do plano extrafísico está relacionada com a necessidade de progresso individual e coletivo pois, no estágio evolutivo médio da humanidade terrena, o ponto de referência é a vida corpórea, onde ele elabora progressivamente sua identidade.

As comunicações dos Espíritos mostram que o plano extrafísico, de modo algum é um local organizado, dirigido por uma autoridade central, como sugerem o céu e o inferno cristãos. É um plano, tal como o corpóreo aberto às mais diversas e contraditórias manifestações de pessoas e grupos.

Mas, como em todo o Universo, nesse aparente caos, a diretriz da Lei divina se estabelece seja pela hierarquização dos Espíritos, seja pelas pressões da realidade moral e intelectual que cada um desenvolve e vive. Todos seguem os rumos do produto de si mesmos.

É um plano caótico, semelhante ao da vida corpórea. É compreensível, pois, afinal, ali desembarcam diariamente as multidões que deixam a vida corporal com suas realidades. E se agrupam segundo simpatias, vibrações e sentimentos,

A grande maioria parece permanecer alienada.

Alguns se reúnem e formam grupos e organizações específicas, criam e mantém lugares bem organizados, como oásis, ilhas de convivência e dirigidas para o bem, estabelecendo uniões mentais e atitudes positivas. Ligam-se aos encarnados que permanecem na mesma linha de comportamento.

Outros formam agrupamentos dirigidos para o mal, com organização hierárquica e policial específicas. Esses grupos relativamente organizados, conforme a natureza de suas intenções e desejos, por não possuírem abertura para uma vida fora dos parâmetros da corporeidade, podem estabelecer uma rede der ligações mentais com os encarnados que permanecem na mesma faixa vibratória, em processos vampirescos e simbióticos.

Há, todavia, os “independentes” pessoas e grupos aleatórios, espécie de vagabundos extrafísicos que, mesmo sabendo-se “mortos” não conseguem viver fora do ambiente corporal. A variedade parece grande. Há os que apenas andam por aí, sem eira ou beira, unindo-se eventual ou firmemente a tantos encarnados da mesma espécie mental. Existem os que se isolam, os que negam a imortalidade, os que cultivam depressões, nos desvios de envolvimento mental deprimente, compondo o cenário geral do plano extrafísico bastante conflitivo.

Essa realidade global da vivência dos seres humanos, tanto no mundo corpóreo, como no extra-corpóreo, dá uma idéia da natureza das relações entre os encarnados e desencarnados, pondo por terra, a natural inclinação de considerar os “mortos” como portadores de sabedoria natural. Kardec disse que os considerava colaboradores e não reveladores predestinados. Assim deve ser.

A permanência no plano extrafísico, como vimos, tem coloridos díspares. Alguns não suportam ficar longe do mundo corpóreo e para eles reencarnar é uma necessidade emocional. Outros, ao contrário, adaptam-se à vida fora do corpo somático e resistem quanto podem ao retorno. Há os que demoram por dificuldades de auto afirmar-se como Espírito, enlouquecendo.

Embora numa visão genérica, o Plano Extrafísico de modo algum seja um lugar disciplinado, há, certamente, um centro coordenador, uma fonte dirigente que se manifesta sempre que solicitada ou necessário Esse centro diretivo, constituído de Espíritos gabaritados atua, suplementa, buscando promover o equilíbrio pessoal e grupal. Parece não haver uma unidade definitiva, mas centros específicos e múltiplos dirigidos por uma governança objetiva e firme. Grupos e organizações reúnem os prosélitos das religiões como o catolicismo, o protestantismo, o judaísmo, o islamismo, o candomblé, a umbanda, para citar às que saltam da memória, sem esforço.

Alguns poucos são espíritas. Isso desfaz uma impressão muito difundida de que ao morrer todos se tornam espíritas. E deveria aumentar a vigilância sobre o teor das comunicações mediúnicas.

CAPITULO IV – INSTRUMENTOS DE EXPRESSÃO E COMUNICAÇÃO

1.O perispirito

Definido por Allan Kardec como o corpo fluídico inerente ao Espírito e que o identifica no plano extrafísico, o perispirito é um corpo temporário, criado pela mente da pessoa, exprimindo a morfologia do corpo somático. Sua composição energética é extremamente porosa e facilmente manipulável pela mente, apresentando grande plasticidade. Razão porque estampa os estados mentais do Espírito.

Dada a natureza incorpórea do Espírito ele necessita de auto identificação externa. Por isso cria esse organismo energético em que se expressa nas relações extra corpóreas, seja encarnado quando se exterioriza e, principalmente, como desencarnado.

As funções do corpo mental, aderido ao Espírito de forma permanente, têm sido confundidas como funções do perispirito, um organismo temporário.

O perispirito se desfaz durante a gestação e é recriado durante o desenvolvimento do corpo, reproduzindo a morfologia do soma, que é a forma concreta de sua própria identificação.

2. A mediunidade

A mediunidade é o portal, o instrumento que liga os dois universos vibracionais em que o Espírito desenvolve suas aptidões.

Fenômeno natural, a mediunidade, contudo, depende do interprete. Do médium. E essa dependência é o elo fraco do sistema. Antes de Allan Kardec foi encarada de forma aleatória, mística, mágica, sobrenatural, com um ou outro profeta, médiuns extraordinários que produziram obras, ora fantásticas, ora sérias, mas sem continuidade racional.

Graças a Allan Kardec que, por sinal, não era médium e, por isso mesmo pode analisá-la, normaliza-la, da-lhe diretriz que resultou no uso criterioso desse instrumento. E pelo qual obteve as informações com as quais criou o corpo doutrinário do Espiritismo.

Todavia, apesar de seu tirocínio e seu bom senso, acreditou que a intervenção dos Espíritos, por si mesma, revolucionaria o mundo. Na verdade quem revolucionou foi ele, com o genial trabalho criativo, sensato que, em linhas gerais delineou um novo tipo de pensamento que, como vimos, foi desvirtuado pela pressão dos conceitos milenares do cristianismo.

Entretanto, desde Allan Kardec, embora o desprezo das elites científicas e o combate do esquema religioso cristão, o plano extrafísico não pode mais ser ignorado.

Agora, tenta-se criar formas de comunicação eletrônicas que possam alcançar a tão desejada certeza na relação dos vivos e dos mortos.

Mas as diretrizes de O Livro dos Médiuns são rumos seguros para evitar os percalços desse instrumento tão valioso e frágil.

Capitulo V - DA ÉTICA E DA MORAL

1.Considerações gerais

Considerando a vida corpórea como o início da existência da alma e a morte como o lugar de julgamento e definição final do futuro da alma, profetas e legisladores criaram leis morais para regular o comportamento pessoal e coletivo. Era ainda uma conseqüência da visão sensorial da vida.

Para a sociedade ocidental, essa visão veio da bíblia ou velho testamento.

A bíblia relata, sobretudo, a perplexidade do povo judeu, diante dos problemas da vida de relação. Os profetas desenvolveram uma visão extremamente dura da relação entre o Criador e a criatura.

A existência, na visão bíblica, é um choque infindável entre as pessoas e a divindade. O poder divino se mostra no castigo. Jeová é retratado como o deus vingador, parcial e exclusivo do povo, cujo poder em relação aos outros deuses foi várias vezes testado, como também, várias vezes, a ira dele se abateu impiedosa, transformando a mulher de Lot em estátua de sal ou na matança general no dilúvio.

Igrejas tiveram dificuldades em compreender a natureza dos seres humanos e por isso os consideraram - a priori, pecadores. E vida corpórea como canga a sobrecarregar e infelicitar as pessoas. A salvação está além da morte

No cristianismo, a base moral repousa, essencial e teoricamente, na pregação de Jesus de Nazaré e, por isso, alguns princípios são extremamente compassivos embora não sejam praticados ostensivamente pela maioria.

Ainda que Allan Kardec acreditasse que o cristianismo tinha criado uma nova versão de Deus através do trabalho de Jesus, a verdade é que, o deus cristão é tão vingativo quanto o deus judaico. Se o Nazareno trouxe a noção da paternidade amorosa, sua misericórdia e solicitude, a realidade do conceito de justiça na expressão cristã, continuou intrinsecamente implacável.

Devido às premissas filosóficas sobre o pecado e a salvação, a sociedade cristã, esteve sempre sob o tacão do pecado. Da tristeza, da dor. A Igreja chegou a condenar o sorriso, o prazer, elegendo o sofrimento e a renúncia como padrões sublimados. As músicas sacras são lamentos. A santidade é ortogada a quem sofreu.

O grande personagem da trama da queda e da culpa é o demônio, com sua capacidade infinita de seduzir, desencaminhar. Larga é a porta da perdição.

O ser humano é o alvo dessa visão que o condena aqui e depois.

Poucos os que se salvam. Poucos os escolhidos.

Este modelo descarta totalmente a premissa da vida humana girando em torno da culpa e castigo.

Na visão evolucionista não existe lugar para retrocesso, nem para a perdição, apenas para o sucesso, para ascensão.

O universo se equilibra numa relação de reciprocidade, adequada a cada etapa no processo de desenvolvimento do Principio Inteligente.

A Lei divina ou natural, não cogita de julgar, condenar. Ou seja, Lei Natural não é uma lei moral. Ela controla a vida universal estabelecendo uma diretriz positiva que sobrevive e se impõe no aparente caos e nos limites do livre arbítrio...

O livre arbítrio, essa liberdade essencial, poderia levar à anarquia incontrolável, não estivessem gravados na consciência os parâmetros da Lei, construídos no conflito existencial A ética e a moral, são estágios criados a partir da racionalidade.

A lei de causa e efeito ou ação e reação, instrumento básico no balanceamento das energias e forças, não é, como às vezes se pensa, numa lei repressora, punitiva, mas apenas a lei básica do equilíbrio

O equilíbrio é a felicidade ou a condição de satisfação e compensação do ser, ou, se quisermos chamar de Eros.

A infelicidade é a quebra do equilíbrio com a criação de estados de desconforto e desintegração mental, ou se quisermos chamar de Morte ou Tanatos.

O interesse de preservação, ou instinto de conservação, que se instala no ser desde o início e a necessidade que lhe é inerente de participar de relações compensatórias com semelhantes, são as forças propulsoras que o movem para a procura da harmonia. O processo evolutivo do ser inteligente é instável porquanto ele estagia no nível de imperfeição natural em constante mutação gerando desequilíbrio Esses parâmetros intrínsecos repousam na reciprocidade da lei de causa e efeito. Ação e reação constituem o caminho, não raro doloroso, da busca do equilíbrio, seja internamente, seja na relação com o outro, com o ambiente.

Na trajetória evolutiva do ser espiritual, os fatores externos provocam repercussões que mobilizam suas potencialidades, reestruturando níveis mentais e motivações. Esses confrontos causam dor e sofrimentos que produzem situações penosas e insatisfatórias

2. A ética

O fluxo organizador e diretivo da Lei está ‘’inscrito na consciência”, isto é, na formação da estrutura do corpo mental. Que significa isso?

A Lei não é um discurso. É o conjunto de fatores que atuam sempre procurando a manutenção do equilíbrio

Esses mecanismos auto-responsivos definem na estrutura do corpo mental do princípio inteligente a noção básica do certo e do errado. Eles limitam ou respondem às estimulações comportamentais ou meramente reativas do ser na trajetória evolutiva. Devido a atuação automática dessas forças, o Princípio Inteligente é compelido a estabelecer esses parâmetros não como forma consciente, mas como decorrência real em si mesmo, dos limites da lei de ação e reação...

Na estrutura da Lei Natural estão estabelecidos os limites que o princípio inteligente conhecerá nos conflitos da experiência que definem as repercussões, a reciprocidade natural entre ação e reação, nos campo das relações de sobrevivência. Depois, no desencadeamento das mutações, ele sofrerá as conseqüências do choque da convivência e, inscreverá na sua mente, no seu corpo mental perene, os rigores das respostas...

A “inscrição na consciência” dos valores da Lei se dá na própria vivência dos conflitos e pelo desejo de preservação do ser e constitui, no tempo, os fundamentos da ética, considerada como o fator que estabelece o julgamento dos fatores para a persistência do ser.

A lei de causa efeito é o princípio fundamental de balanceamento e reajuste constante da rota desdobrada pelo ser na trilha evolutiva. Esse jogo permite a construção e reconstrução do equilíbrio interno.

A decorrência será a estruturação dos valores que se chamarão depois de “ética”, ou seja, a definição básica do certo e errado, bem e mal.

3. A moral

No nível animal, o princípio inteligente é compelido a lutar pela sobrevivência, enfrenta a morte, o medo, desenvolve a sagacidade, o oportunismo. Aprende as lições básicas da convivência grupal, uma espécie de solidariedade. Aí, inexiste o elemento moral. Ou seja, um pedrador ao atacar sua vitima não expede um julgamento moral, uma incerteza do certo ou do errado. Ao destruir sua presa satisfazendo sua necessidade ele não sente culpa.

No período humano, a ética e a moral se expressam, inicialmente, com o nascimento dos tabus, dos medos diante dos fatores naturais, nos mistérios do nascimento e da morte, e apelação para as forças sobrenaturais no interesse da preservação pessoal e grupal.

Assim como as forças do universo energético seguem um curso aparentemente ao acaso, mas permanecem dentro do fluxo orientador da Lei, o ser inteligente também parece seguir uma forma anárquica, sem limitações. Todavia, através dos mecanismos da Lei instalados pela experiência na mente do Espírito, o equilíbrio se faz invariável, mas não imediato.

Na dinâmica do processo, o que, dentro da visão sensorial sugere o caos, o acaso, na verdade caminha para a busca do equilíbrio. A questão, nessa visão sensorial, se complica pela variável do tempo, cronológico ou sensível.

A culpa será desenvolvida no nível hominal. Dispondo da capacidade de analisar, comparar e decidir, ele exercerá ou sofrerá a ação recíproca do ato e da resposta. Mas, sobretudo, descobre o outro. É nessa descoberta e nessa relação conflitiva e ao mesmo tempo essencial que ele desenvolve o senso moral, o certo e o errado, o bem e o mal, que por isso mesmo é relativo ao grau evolutivo.

Essa moral é estabelecida pela autoridade, dentro de padrões criados pela observância das necessidades de manter um relativo equilíbrio nas relações humanas no círculo em que se desenvolvem e também para garantir o poder.

Aí nascem as noções sobre o poder sobrenatural, a delegação de poderes a missionários e profetas, que como legisladores estabelecem. as noções da culpa e da punição.

Ainda que esses sejam elementos historicamente encontrados nas civilizações de todos os tempos, constituem uma moral relativamente mutável, adaptável.

Não se pode confundir a reciprocidade da lei de causa e efeito, com a polarização entre culpa e castigo, que numa serie infinita limitaria drasticamente o desenvolvimento do ser inteligente, perdido na circularidade permanente.

Somente essa perspectiva poderá dissolver a aparente contradição entre o livre arbítrio, como instrumento de expansão e evolução do ser inteligente e a Lei. Isto é, não existem limites morais na Lei. Os limites não estão fora, mas delineados e funcionam inevitavelmente dentro do universo pessoal, nos mecanismo dos condicionamentos e choque de valores como o medo, o poder e todos os demais processos de vivência e conflito que o Espírito enfrenta.

4. Culpa e pecado

É preciso separar o entendimento sobre a questão da culpa decorrente dos desvios morais e éticos em relação a si mesmo e instituto do pecado.

De modo geral as igrejas fundamentaram a moral como uma ação direta da divindade, em escalas de diferentes. Introduziram o pecado como ato de transgressão da lei divina e, portanto, sujeito ao julgamento e à punição também divina.

O pecado original justifica o julgamento a priori da natureza moral da pessoa e do julgamento rigoroso das suas atitudes. Essa predisposição inerente à alma, cria o conflito das realidades da criatura e as exigências da moral.

A moral, entretanto, nem sempre é condizente com a Lei Natural, mas uma construção social, teológica ou comunitária, que estabelece regras, hábitos, modo de pensar e de julgar.

Errar é humano se diz, mas promove como resposta, em geral, o castigo. Esse castigo na visão dinâmica representa a necessidade de restabelecer o equilíbrio que a ação provocou, seja em si mesmo, seja na relação com o outro.

Já o pecado, nas suas variadas gradações, é ato contra Deus.

Um é o sentimento mutável da culpa como conseqüência da infrigência dos valores elegidos pessoal ou coletivamente outro é a transgressão do mandato divino.

O modelo da Doutrina Kardecista rejeita totalmente essa visão, como é evidente. Porque a Lei natural não é moral. O universo não tem propósitos restritos ou punitivos. Embora não haja possibilidade de entender todas as nuances da vida, nada na natureza autoriza o modelo de pecado e punição secular.

5. O Salvador

A Teologia cristã exige a presença de um salvador, porque a humanidade é, segundo ela, naturalmente condenada.

A transferência da fragilidade humana para deuses sobrenaturais é parte das civilizações. A crença cristã, além de Deus, nomeou Jesus de Nazaré como o Salvador. Historicamente quem procurava um salvador, um messias, eram os judeus. A transferência da cultura judaica como base da teologia cristã trouxe também o mito do messias;

Por isso, a Igreja formou o imbróglio da santíssima trindade, como escape para os problemas da divindade, formando a teoria da unidade na triplicidade, do Pai, do Filho e do Espírito Santo, onde a figura de Jesus ocupa o lugar do filho e do pai.

Jesus de Nazaré líder judaico foi transformado no messias, isto é Jesus Cristo e parte da santíssima trindade é o princípio e o fim.

No O Livro dos Espíritos encontramos:

625 – Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo?

Vede Jesus.

Allan Kardec aduz um comentário condizente com a cultura cristã afirmando que Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra.

Baseados nessa simples expressão, os religiosos que aportaram no Espiritismo, incluindo Espíritos desencarnados comprometidos secularmente com a Igreja, não perceberam que a resposta coloca Jesus no nível humano e o retira do nível divino. Todavia, a pressão dos resíduos cristãos nas mentes, distorceu o rumo das coisas e o Nazareno foi introduzido como Nosso Senhor Jesus Cristo entre os espíritas, da mesma forma como é entendido nas igrejas cristãs.

Na visão evolucionista deste modelo, não há lugar para um salvador. Mas positivamente tem lugar para as lições de Jesus de Nazaré. Nas suas lições Allan Kardec buscou a diretriz segura para o desenvolvimento ético e moral que o Espiritismo propõe.

Capítulo VI - ENTENDENDO A REENCARNAÇÃO

1.Considerações gerais

O entendimento da reencarnação está ligado a todo espectro vivencial do ser humano.

Caráter, dor, prazer, desvios morais, perversões e santificações que definem o comportamento das pessoas foram desenvolvidos através das vidas sucessivas e por elas, serão resolvidos.

2. A técnica reencarnatória

A reencarnação é um processo natural, psíquico-físico. Ocorre automaticamente sempre que se crie um clima vibracional decorrente da fecundação do óvulo no ventre materno.

Entretanto, segundo O Livro dos Espíritos, pode ocorrer que exista gestação, sem atrair um Espírito.

356 – Entre os natimortos alguns haverá que não tenham sido destinados à encarnação de Espíritos ?

-Alguns há, efetivamente, a cujos corpos nunca nenhum Espírito estava destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças então só vêm por seus pais.

a) Pode chegar a termo de nascimento um ser dessa natureza?

Algumas vezes, mas não vive.

b) Segue-se daí que toda criança que vive após o nascimento tem forçosamente encarnado em si, um, Espíritos:

Que seria ele, se assim não acontecesse? Não seria um ser humano.

Iniciamos com essa exceção, para mostrar que o pensamento linear sobre a reencarnação pode ser falho.

A reencarnação, a princípio, pois, é uma ação natural, própria do processo evolutivo. Sem ela, não seria possível ao princípio inteligente adquirir experiência, superar etapas e, por fim tornar-se um Espírito.

Ocorre sem a necessidade de programação prévia e é executada sem auxílio dos Espíritos.

A maioria reencarna atraída pelo desejo de voltar ao corpo e é “sugada”, digamos assim, pelo cone energético formado pela fecundação do ovo no útero materno. É uma operação integrada, programada pela natureza, realizada no plano mental e físico através da mente materna.

A encarnação do Espírito compreende essa operação no plano mental e toda a maravilhosa progressão do desenvolvimento do embrião que resultará, progressivamente, no feto e depois na criança.

Com isso queremos deixar claro que a reencarnação sendo um fato natural está integrada mental e corporalmente, sendo que o desabrochar do embrião no útero materno é a base fundamental para desencadeá-la.

A informação segundo a qual, no momento exato da fecundação do ovo, o Espírito se liga ao feto precisa ser melhor entendida. Na verdade ele começa a ligar-se à mãe. Significa que, criada a condição físico-mental no corpo e na mente materna, abre-se “o cone sugador” atraindo e, sob certa forma, aprisionando o Espírito.

Perdendo o perispirito, o reencarnante liga-se, pelo corpo mental, à mente e ao ambiente energético gerado pela gestação no corpo e do perispirito materno.

Paripassu à gestação, o Espírito inicia o período de perturbação pré-natal, em que sua mente entra num processo de restrição, de modo adequar-se ao novo organismo e criar uma nova personalidade.

Esse “período de perturbação” compreende:

1)período de desestruturação – onde o reencarnante entra em confusão mental, perdendo contato com sua personalidade atual. Nesse período o perispirito se desfaz e restam, o Espírito em si mesmo e seu corpo mental, pelo qual se liga diretamente à mente materna.

2)período de incorporação – quando se realiza a precisamente a reencarnação e o feto se transforma em criança

A rigor o Espírito não se liga ao feto, como explica O Livro dos Espíritos:

.353 (...) Pode considerar-se o feto como tendo uma alma?

-Propriamente falando ele não tem uma alma, pois a encarnação está apenas em vias de se realizar, mas está ligado à alma que deve possuir.

Por conseqüência ao nascer a criança inicia-se a criação do perispirito que identificará o Espírito na encarnação atual.

Começa então o período de estruturação, quando o reencarnante começa a reestruturar-se mentalmente, construindo uma nova personalidade e integrando-se à realidade ambiental em que se localiza

Motivações

330. Sabem os Espíritos em que época reencarnarão?

-Presentem-na, como sucede ao cego que se aproxima do fogo. Sabem que têm de retomar um corpo, como sabeis que tendes de morrer um dia, mas ignoram quando isso se dará.

a) Então, a reencarnação é uma necessidade da vida espírita, como a morte o é da vida corporal?

-Certamente; assim, é.

A naturalidade que O Livro dos Espíritos trata do tema contrasta com a confusão religiosa que liga a reencarnação à culpa, ao castigo, à punição.

Na verdade, o Espírito reencarna porque vive e não porque tem culpa.

3.A reencarnação é uma aventura existencial

A idéia de que toda a reencarnação é perfeitamente planejada parece bastante irreal. Cada Espírito traz em si mesmo o projeto de vida, consciente ou não. Mergulhado no mundo corpóreo nele se identifica e se consolida como se nunca existisse antes. Segue enfrentando as exigências, conflitos e experiências que cada vida oferece. Dentro dessa perspectiva, usa sua capacidade de pensar, de criar, de compreender e recriar, de enfrentar e resolver os conflitos.

Incluído ou excluído socialmente, integrando ou não uma família, esta sendo bem organizada ou não, o Espírito é ele mesmo, decidindo o rumo a tomar. Pode ser bem ou mal sucedido. Andar passos evolutivos ou manter-se parado.

Sua mente produzirá imagens e decisões que gravarão seu caminho.

Experimentará dor, solidão, isolamento, amor, amizade, virtudes e erros conforme usar seu livre arbítrio no meio ambiente em que estagia. Terá um corpo sadio ou doente. Manterá a saúde do corpo ou arruinará com vícios, mau uso e pela mente doentia ou saudável, terá capacidade de raciocínio claro ou não, aprenderá com maior ou menos facilidade.

Crescerá ou paralisar-se-á sem motivações de romper os desafios criados pela vivência.

Ele não estará só, mas dependerá essencialmente de si mesmo. Ou seja, a rigor a reencarnação é uma aventura existencial que envolve, no primeiro momento, o reencarnante, sua mãe, seu pai e depois todos os que participam do ambiente social em que se aloja

4. A reencarnação planejada

Dentro desse aparente caos, cada Espírito pode efetuar um planejamento prévio. Mas isso é possível apenas quando ele alcançou um patamar de reciprocidade e ligou-se a grupos de Espíritos com conhecimento e superioridade capazes de orientar, saber e influir no processo reencarnatório;

Há reencarnações planejadas para o desenvolvimento social. Então Espíritos serão orientados, direcionados para alcançar determinado objetivo, sujeitos, todavia, ao livre arbítrio.

Digamos que o sistema se organizará para oferecer-lhe condições para alcançar o objetivo traçado. Para isso existem forças e Espíritos capazes.

Nesse caso, estabelecem delineamentos prévios e podem receber o acompanhamento de Espíritos de evolução superior.

A palavra delinear é bem clara, significa esboço, linhas gerais, marcos principais, e não um planejamento estrito, um mapa detalhado. É a mistura de determinação do reencarnante e do grupo em que se filia e o livre arbítrio.

Não creiais, entretanto, que tudo o que sucede esteja escrito, como costumam dizer. (..) Só as grandes dores, os fatos importantes e capazes de influir no moral, Deus o prevê porque são úteis à tua depuração e à tua instrução. (859ª)

5.A escolha das provas

No imaginário espírita, o sofrimento, a dor e as condições sociais do ser humano são, quase sempre, conseqüência de erros do passado. Crêem que muitos fazem escolha de provas difíceis com o objetivo de apressar o pagamento de dívidas com a divindade e consigo mesmos.

Essa idéia tornou-se uma regra segundo a qual antes de encarnar o Espírito delineia os percalços, os problemas, as provas e expiações que seriam necessárias para ressarcir “culpas do passado”.

A vida corpórea do Espírito foi classificada basicamente como uma oportunidade de sofrer para regenerar e crescer moralmente

Este trecho de um artigo publicado em jornal espírita especifica o que se pensa geralmente “Reencarnação é oportunidade, é retorno ao campo de lutas materiais e visa, antes de tudo, liquidar ou diminuir débitos contraídos em experiências anteriores ou, ainda, angariar créditos para a vida futura”. A escolha de provas, quando acontece, é um plano de intenções.

Capítulo VII - A DOR E A BUSCA DO EQUILÍBRIO

Na visão bíblica, a vida terrena é única, curta, breve e por isso, deve ser agilizada para resolver o enigma do futuro. Nos meios espíritas mais religiosos, entende-se que a vida corpórea é uma quase tragédia, pois cercearia a liberdade do Espírito e vê nela um “rosário de dores” a vida na Terra, como degredo, hospital, enfim, um calvário dos culpados. Dentro dos resquícios do gozo após morte, muitos consideram a vida na Terra, um estágio que deverá ser usado com sacrifícios, dores, sofrimentos para não voltarem, nas próximas encarnações a viver aqui, como a como a recomendação ‘fazei tudo para não voltardes a esta Terra...”.

Pelo novo entendimento a vida corpórea é um componente natural, desejado e necessário à evolução do Espírito.

.A valorização da vida corpórea é conseqüência do entendimento sobre o grande movimento evolutivo em que todos estão envolvidos e que, em última instância, é produto da própria pessoa. Em termos puramente intelectuais poderíamos dizer que a vida corpórea flui como uma contingência natural, independente do valor moral do reencarnante.

Mas a vida é um fluxo energético, valorizado pela emoção, pelo sentimento. Daí não haver possibilidade de desvinculá-la da natureza afetiva das pessoas. Por isso a reencarnação, como fluxo natural do processo de busca do equilíbrio, traz a realidade intelectual e moral do Espírito, seu bem e seu mal, suas conquistas e deficiências. Porque esse é o panorama caótico da sociedade humana.

Mas é pouco inteligente circunscreve-la ao sentido de prova e expiação, ou seja, do sofrimento e da reparação de erros.

Na progressão da vida, corpórea ou incorpórea, o sofrimento e a dor são componentes inerentes à imperfeição das pessoas.

Se há a dor-crescimento, decorrente das mutações evolutivas, que produzem perturbações vivenciais em virtude da substituição de parâmetros consolidados por novas perspectivas, existe a dor-resposta decorrente dos conflitos internos, da culpa e de relacionamentos com parceiros que afetam o equilíbrio emocional e físico.

A reencarnação não pode ser confundida como medida auto-punitiva ou ação punitiva da divindade..

No modelo bíblico, o ser humano, moldado com culpa inata, corrupto, merece correção para tentar salvá-lo do inferno. Para isso é submetido à autoridade divina pessoal e imediata, pois todo o processo deve ser completado entre o nascimento e a morte. Então,. somente a privação de sentimentos, desejos e aspirações, através da renúncia, pode oferecer um futuro feliz póncia, pode oferecer um futuro pomente a privaçza coloca librio nclinaç cens depressentemente, servindo-se das viciaçs-morte, porque a vida corpórea seria o início e fim da experiência sensível da criatura.

Numa visão dinâmica, contudo, concebemos a vida humana como um continuum existencial, através da vivência no plano extrafísico e no plano corpóreo, intermitentemente. Isso explica a realidade evolutiva das pessoas, em segmentos reencarnatórios. A pessoa humana possui uma biografia atemporal, em que experimenta uma extraordinária aventura de erro e acerto; Permanentemente inquietante e inquieta, sem correlação estrita com o tempo, mas desenvolvendo-se em seu próprio tempo.

À falta dessa visão leva a uma interpretação da pessoa de forma restrita e limitada. Essa concepção norteia todo o modo de vida, a educação, a emoção das pessoas, direcionadas pela morte. Pois, nessa visão sensorial, apenas a morte é a certeza real.

Contrasta com este modelo de ascensão e liberdade que apresentamos.

Capítulo VIII - O OBJETIVO DA VIDA

Na visão cristã, o ser humano é um corpo com uma alma, criada por Deus, quando uma criança é gerada no útero materno. Sensorialmente, nascemos, vivemos e morremos. A alma, contudo, é imortal e após a morte, seu destino é a inexorável e eterna passividade contemplativa ou o arder das chamas infernais.

Sob o ponto de vista biológico, o ser humano é um corpo dotado de um cérebro que o identifica e destinado à morte.

O novo modelo identifica o ser humano, prioritariamente, como um Espírito imortal, evoluindo através de sucessivas encarnações. Embora a extraordinária e fundamental importância da vida corpórea para o Espírito, o nascimento, a existência e a morte no campo corpóreo é apenas um segmento da vida, na sua expressão imorredoura, progressiva e dinâmica.

A teologia aponta uma imortalidade passiva, definitivamente determinada. O novo modelo mostra a imortalidade dinâmica, harmoniosa, satisfatória, esperançosa ou sofredora, conflitiva, caótica, mas gloriosamente capaz de dar ao ser inteligente a continuidade de si mesmo, atemporalmente.

Clareia, abre perspectivas, para explicar o porquê da vida.

Por que vivemos, afinal? Essa questão se baseia, sobretudo, na perspectiva de um fim, de uma meta a ser alcançada. Ma não existe uma meta, um objetivo final para o ser inteligente. A vida permanente, imortal é a própria razão do viver.

Se o Espírito é imortal viver é o seu destino.

Todo o esquema evolutivo é tornar essa continuidade existencial, a mais feliz e produtiva possível. Fazemos parte do conjunto vibrátil e, sob certos aspectos, misterioso do universo.

Sabemos que viver é a construção do caráter e da personalidade saudável, equilibrada, com interação a e integração gradualmente compensatória consigo e com os outros. Há um dinamismo contínuo, uma reciclagem permanente, apontando sempre um horizonte melhor.

Significa pleno desenvolvimento de si mesmo, alcançando a sabedoria para a apreensão dos fundamentos universais e liberando o potencial afetivo a níveis positivamente produtivos e recíprocos na relação com os outros e com meio ambiente, que são as bases da felicidade.

O objetivo da vida, para o Espírito é a plena felicidade.

Se dissermos que tudo se harmoniza no universo e que o ser inteligente participa dessa harmonia como peça fundamental e que dispõe de oportunidade e capacidade para evoluir do “simples e ignorante” para as mais altas posições de inteligência, ética, moral e conhecimento, cujo objetivo é a felicidade, a plenitude, talvez tenhamos a resposta possível para o objetivo da vida.

Ou seja, a vida oferece ao ser inteligente a oportunidade de ser feliz. A felicidade do ser inteligente é a única forma de compreender os mecanismos da vida universal.

Podemos pensar que a criação do ser Inteligente obedece ao planejamento da vida universal. Pois, apesar dos esforços da ciência, tanto quanto da religião, em circunscrever a vida ao cérebro físico, ainda na visão sensorial, considerando o homem um ser para a morte, a experiência indica que a constituição exclusivamente cerebral para descrever o comportamento humano, não resiste ao quadro de a desigualdade e diversidade das suas reações da pessoa, que, se puramente cerebral deveria repetir-se indefinidamente. A individualidade e a personalidade das pessoas permitem compreender a sua natureza inteligente, imortal.

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