Liberdade, filha do conhecimento

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Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência. Léon Tolstoi

Doutrinadores religiosos sustentam que a verdade liberta. Não se duvide. Jesus de Nazaré prenunciou que o homem estaria destinado a conhecer a verdade e que ela seria o fator determinante de sua libertação.

Por ora, no entanto, não temos mais que aproximações da verdade sobre as questões fundamentais que dizem com o universo, a inteligência dos seres, suas origens e os destinos a eles reservados. A ciência trabalha com hipóteses capazes de apontar caminhos ao deslinde dos grandes temas que pedem decifração acerca do homem e do mundo. As religiões que, até ontem, se proclamavam detentoras de verdades eternas e imutáveis, reveladas pela própria divindade, com o avanço do conhecimento, viram seus dogmas migrarem para as mesmas regiões onde se situam antigas e superadas mitologias. Poder-se-á dizer que as crenças religiosas ainda mitigam dores e oferecem consolação, mas não representam mais que etapas provisórias e superáveis da caminhada do ser. Na medida em que este adquire novos conhecimentos, a partir das leis naturais, as certezas antes inspiradas pela fé, vão desmoronando.

Caminhos ontem apontados como rotas seguras para a aquisição da verdade mostram-se superados. Tinha razão, pois, Jiddu Krishnamurti ao advertir: “Não há nada que conduza à verdade. Temos que navegar por mares sem roteiros para encontrá-la”. Ou seja, a vida, manifestação sublime daquilo que podemos supor seja a verdade absoluta, através de mecanismos ainda não bem compreendidos por nós, nos vai encaminhando no rumo daquelas verdades compatíveis com o patamar evolutivo em que nos encontramos.

Atribui-se a Galileu Galilei a sentença segundo a qual “a verdade é filha do tempo e não da autoridade”. Mas, ante a celeridade com que novos conhecimentos são trazidos, vamos apreendendo verdades provisórias, logo ali adiante destinadas a serem substituídas por outras. Já não é, pois, adequado falar-se em verdade como categoria absoluta, mas em novos conhecimentos capazes de nos aproximar da verdade.

Por outro lado, justamente no ritmo e na proporção em que assimilamos novos conhecimentos se amplia em nós a capacidade de nos reconhecermos livres e agirmos, efetivamente, como seres inteligentes e impulsionados pela liberdade interior.

O espiritismo, a partir do pressuposto da existência de leis naturais, vigentes em todo o universo e presentes em nossa consciência, é um valioso auxiliar na aquisição de conhecimentos essenciais à vida, capazes de ampliar, admiravelmente, nosso campo de liberdade. Ele nos liberta da obrigação de aceitar pretensas verdades baseadas unicamente no critério da autoridade. Pede que tudo examinemos e que tudo submetamos à razão. Introduzindo o conceito da fé raciocinada, libera-nos de qualquer sentimento de culpa decorrente de havermos deixado de ser crentes para nos convertermos em pensadores livres. Nem por isso nos torna arrogantes. Ao contrário, essa postura estimula em nós a humildade de nos reconhecermos eternos aprendizes, abertos a novos conhecimentos.

No campo imenso das lutas humanas pela aquisição da liberdade, ao espiritismo cabe, precipuamente, a tarefa de difundir conhecimentos acerca da natureza do ser, de sua condição de espírito imortal em constante evolução. Contribuindo com a difusão desse conceito fundamental, estaremos, efetiva e concretamente, trabalhando em prol da liberdade.

[Editoria do jornal CCEPA OPINIÃO – Ano XXV – Nº 272 – Abril 2019]